A POESIA DE ANG LEE
Será que todos refletimos nossas
emoções em um filme que nos mergulha num mar escuro, revolto e belo, tão belo
quanto nossa existência ou apenas PI que se vê refletido no olhar de Richard Parker?
Será que é só isso?
- Animais tem alma! Salva Piscine Monitor Patel.
- Não, eles são apenas um reflexo
do que vc quer ver. Manda o poder patriarcal.
E se for preciso e é, a morte vai
ser um espetáculo que vai ter fazer perder o encanto por tudo na vida. O
prelúdio do desapego.
E assim Ang Lee vai lapidando lentamente
um caleidoscópio onde imagens prestam serviço ao coração espelhando todas as
formas que damos ao que somos.
E assim seremos lançados neste
universo pelas portas de um Paraíso, que está prestes a desmoronar ao sermos
apresentados a cada um de seus habitantes ao som de uma linda canção de ninar.
Sabemos seus destinos assim como os Deuses, mas impotentes diante disso, assim como
nós: homens.
Passado o tempo vemos um menino
que subverte sua sorte, firmando um significado racional para seu nome, caminhando
em direção oposta, quando adota todas as religiões que ele pode alcançar.
E na busca de um Deus que lhe
traga fé, ele não apenas desafia sua natureza como a que o cerca, dando um
intenso mergulho em uma jornada de terror, na “Noite Escura de Sua Alma” como é
descrito este encontro com nossa sombra nas tradições ancestrais xamânicas.
E neste mar, Pi é uma ilha não
fosse a presença de Deus na carne de um feroz Tigre da Bengala. Um Deus que o
traduz, salva e o conecta com todos universos místicos que ele jamais sonhou.
Um filme que conta uma fabula que
nos leva até as grutas mais escuras e encobertas de nossa alma. Uma produção
indicada merecidamente as 11 categorias do Oscar.
As Aventuras de Pi é na certa um
dos filmes mais importantes do cinema de nossa era, porque não conta apenas uma
história ou é representado com maestria por seus atores, mas principalmente
porque nos aprofunda, não nos deixa no raso apelo da ilusão, se aliando a ela, para
nos despertar.
Ang Lee premiado por O Tigre e o
Dragão e o Segredo de Brokeback Mountain, cria aí, uma armadilha primordial nos refestelando
com imagens de uma poesia impar, quando traiçoeiramente no acua num canto de
nós mesmos. Ele nos adestra enquanto vemos Pi adestrar Richard Parker. Então o 3D
quase não importa, quando dentro de nós não foi criado nomenclatura para
designar a gama de efeitos que este filme produz.
E lá estamos todos nós no mesmo
barco, toda plateia do cinema dentro de um pequeno bote.
Derretidos pelo amor que é ácido,
no que nos mantém em pé diante todas as provas do mundo. Eterrnecidos,
entorpecidos pelo olhar de um felino ou nos refletindo no mesmo.
Esta é a história de uma história
que levou anos para encontrar sua forma e condutor.
Uma história que só poderia ter vindo
pelos ventos do oriente e ser tão moderna e holística ao falar de tudo em nós ao mesmo
tempo. Nos trazendo confortáveis para nossa natureza.
THE LIFE OF PI é a primeira
poesia de um mundo que não acabou
AS AVENTURAS DE PI Baseado na história de Yan Martel