quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

A POESIA DE ANG LEE
Será que todos refletimos nossas emoções em um filme que nos mergulha num mar escuro, revolto e belo, tão belo quanto nossa existência ou apenas PI que se vê refletido no olhar de Richard Parker?

Será que é só isso?

- Animais tem alma! Salva Piscine  Monitor Patel.

- Não, eles são apenas um reflexo do que vc quer ver. Manda o poder patriarcal.

E se for preciso e é, a morte vai ser um espetáculo que vai ter fazer perder o encanto por tudo na vida. O prelúdio do desapego.

E assim Ang Lee vai lapidando lentamente um caleidoscópio onde imagens prestam serviço ao coração espelhando todas as formas que damos ao que somos.
E assim seremos lançados neste universo pelas portas de um Paraíso, que está prestes a desmoronar ao sermos apresentados a cada um de seus habitantes ao som de uma linda canção de ninar. Sabemos seus destinos assim como os Deuses, mas impotentes diante disso, assim como nós: homens.
Passado o tempo vemos um menino que subverte sua sorte, firmando um significado racional para seu nome, caminhando em direção oposta, quando adota todas as religiões que ele pode alcançar.
E na busca de um Deus que lhe traga fé, ele não apenas desafia sua natureza como a que o cerca, dando um intenso mergulho em uma jornada de terror, na “Noite Escura de Sua Alma” como é descrito este encontro com nossa sombra nas tradições ancestrais xamânicas.
E neste mar, Pi é uma ilha não fosse a presença de Deus na carne de um feroz Tigre da Bengala. Um Deus que o traduz, salva e o conecta com todos universos místicos que ele jamais sonhou.
Um filme que conta uma fabula que nos leva até as grutas mais escuras e encobertas de nossa alma. Uma produção indicada merecidamente as 11 categorias do Oscar.
As Aventuras de Pi é na certa um dos filmes mais importantes do cinema de nossa era, porque não conta apenas uma história ou é representado com maestria por seus atores, mas principalmente porque nos aprofunda, não nos deixa no raso apelo da ilusão, se aliando a ela, para nos despertar.
Ang Lee premiado por O Tigre e o Dragão e o Segredo de Brokeback Mountain, cria aí, uma armadilha primordial nos refestelando com imagens de uma poesia impar, quando traiçoeiramente no acua num canto de nós mesmos. Ele nos adestra enquanto vemos Pi adestrar Richard Parker. Então o 3D quase não importa, quando dentro de nós não foi criado nomenclatura para designar a gama de efeitos que este filme produz.
E lá estamos todos nós no mesmo barco, toda plateia do cinema dentro de um pequeno bote.
Derretidos pelo amor que é ácido, no que nos mantém em pé diante todas as provas do mundo. Eterrnecidos, entorpecidos pelo olhar de um felino ou nos refletindo no mesmo.
Esta é a história de uma história que levou anos para encontrar sua forma e condutor.
Uma história que só poderia ter vindo pelos ventos do oriente e ser tão moderna e holística ao falar de tudo em nós ao mesmo tempo. Nos trazendo confortáveis para nossa natureza.

THE LIFE OF PI é a primeira poesia de um mundo que não acabou

AS AVENTURAS DE PI Baseado na história de Yan Martel

2 comentários:

Anônimo disse...

Que presente este texto! Namastê

ONÇA Mukti disse...

Luna,
Falar sobre este filme é quase impossível, sem transformar o texto num spoiler.

Namsté Dji